Rafael Duda e Patrus Ananias integram 2ª rodada de sabatinas ao governo de MG
Encontro promovido pelo Sindafa-MG e entidades debateu recomposição da inflação, política remuneratória unificada e valorização dos fiscais do IMA
O Sindicato dos Fiscais Agropecuários e Fiscais Assistentes Agropecuários de Minas Gerais (Sindafa-MG) e outras 23 entidades do funcionalismo público estadual realizaram a segunda rodada do ciclo de sabatinas “Conversa com o Candidato”. O encontro ocorreu no auditório da Associação dos Funcionários Fiscais de Minas Gerais (AFFEMG), em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo pela internet.
Panorama do setor e perda do poder de compra
Ao abrir as intervenções em nome dos fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), a presidente do Sindafa-MG, Moísa Medeiros Lasmar, apresentou um diagnóstico da defesa agropecuária no estado. A dirigente destacou que o agronegócio mineiro ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores do país, com recordes consecutivos de faturamento e produção, e contrapôs esse crescimento com a defasagem salarial da categoria, que acumula mais de dez anos sem reposição da inflação.
Outro ponto de destaque foi a grande disparidade salarial entre as carreiras estaduais e federais. A dirigente ressaltou que a carreira de fiscal agropecuário de Minas Gerais possui a segunda pior remuneração do país entre os estados. Além disso, o salário inicial da categoria no IMA equivale a cerca de um quinto dos vencimentos de um auditor fiscal federal do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), quadro que tem motivado a perda contínua de profissionais qualificados para órgãos federais e outros setores da economia.
Rafael Duda e a política remuneratória unificada
Durante a sabatina de Rafael Duda (PSTU), a primeira do dia, a presidente do Sindafa-MG destacou que o Estado vem adotando uma postura de negociações isoladas, contemplando apenas categorias mais populosas ou com maior poder de pressão, em detrimento de uma solução equivalente para os demais servidores estaduais.
“A gente observa que não há uma política remuneratória unificada para todo o funcionalismo, mas sim acordos pontuais com categorias mais estratégicas. O nosso anseio, e de todo o conjunto das 24 entidades, é saber: qual é o seu plano, se eleito, para superar a crise financeira do Estado e recompor as perdas inflacionárias para todo o conjunto dos servidores públicos?”, indagou a presidente do Sindafa-MG, Moísa Medeiros Lasmar.
Em resposta, o concorrente do PSTU abordou a situação dos trabalhadores do setor público de forma geral e defendeu que a valorização do funcionalismo e o cumprimento da pauta única devem ser tratados como obrigações centrais do Estado.
“A nossa estratégia é reavaliar radicalmente as contas públicas e revogar os incentivos fiscais concedidos a grandes grupos econômicos. Com a revisão das isenções e a garantia do orçamento necessário, é plenamente possível viabilizar o reajuste salarial de base e atender integralmente à pauta dos servidores públicos”, afirmou Rafael Duda.
Patrus Ananias e os acordos de carreira
Na segunda sabatina, com Patrus Ananias (PT), a cobrança do Sindafa-MG voltou-se para a falta de previsibilidade do calendário remuneratório, como a ausência de datas fixas para o pagamento dos reajustes, e para os compromissos firmados durante greves e mobilizações passadas que não foram cumpridos na prática, a exemplo da reestruturação da carreira dos fiscais e do fortalecimento do IMA.
“Nós temos um acordo assinado durante a greve de 2018, no governo Fernando Pimentel, para a reestruturação da carreira dos fiscais do IMA, que não foi implementado. O senhor, se eleito, vai cumprir esse pacto histórico? Além disso, qual será sua estratégia para construir uma política salarial permanente que garanta anualmente a reposição da inflação, acabando com a realidade de reajustes concedidos apenas em anos eleitorais?”, questionou a presidente do Sindafa-MG.
Ao responder, o candidato do PT iniciou a intervenção mencionando a trajetória do pai como produtor rural e a própria origem no campo, ressaltando a identificação que possui com o setor. Diante dos dados apresentados sobre a defasagem salarial da categoria, o representante partidário reforçou o compromisso de manter uma interlocução direta com as associações do funcionalismo.
“Fiquei impressionado com os salários abaixo de R$ 3 mil e com os acordos não cumpridos. Nossa estratégia para superar essa situação é o diálogo. Vamos alinhar os passos juntos, considerando a realidade financeira do Estado. Assumimos o compromisso de fazer um governo democrático e de interlocução permanente com os servidores, que são os verdadeiros responsáveis pela execução das políticas públicas”, declarou Patrus Ananias.
Entrega da Carta-Compromisso
Ao término do encontro, os postulantes ao Palácio Tiradentes receberam a “Carta-Compromisso em Defesa do Serviço Público do Estado de Minas Gerais”, documento assinado pelas 24 organizações representativas com propostas para a valorização do funcionalismo.
Próximos passos
O ciclo “Conversa com o Candidato” terá continuidade ao longo do período eleitoral. A Diretoria do Sindafa-MG e as entidades parceiras seguirão acompanhando a agenda dos candidatos ao governo estadual e divulgando os desdobramentos dos encontros.
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Sindafa-MG: Valorização e defesa dos Fiscais Agropecuários e Fiscais Assistentes Agropecuários do IMA.